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Introdução alimentar, o que você precisa saber e não e contaram

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Crônicas

Introdução alimentar, o que você precisa saber e não e contaram

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A introdução alimentar é recomendada a partir dos 6 meses e antes disso já planejávamos como seria a da Valentina.

Na consulta de 5 meses eu questionei a pediatra de como seria a introdução alimentar de nossa filha. Nos foi dito que conversaríamos sobre o assunto somente na próxima consulta. Isso me intrigou, pois nós já pensávamos em como seria essa introdução alimentar e deixar tudo para o próximo mês me parecia arriscado.

Qual método de introdução alimentar adotar?

Eu e o Rodrigo já vínhamos lendo sobre o assunto há algum tempo. O Rodrigo procurava cursos sobre papinhas para entender o método de produção e eu lia e estudava para conhecer mais sobre o assunto.

Até então as papinhas eram a única opção de alimentação complementar que conhecíamos, mas as muitas leituras nos levaram a descobrir o BLW, sigla em inglês para baby-led weaning, que pode ser traduzido como desmame guiado pelo bebê. O BLW não é assunto para este post, sobre ele falaremos em uma próxima oportunidade.

Nosso assunto agora é sobre tudo aquilo que não nos contaram sobre a introdução alimentar. Descobrimos com erros e acertos, e hoje temos a certeza que todos pais deveriam saber como é a introdução alimentar antes de iniciar qualquer tipo de alimentação complementar com seu filho.

Chegou a hora de iniciar, e agora?

Na consulta dos 6 meses recebemos as instruções de como preparar as papinhas e com quais tipos de papinha deveríamos iniciar, o que era proibido e o que era permitido para este início. Eu até questionei a pediatra sobre o BLW e a orientação foi: “Ok! Vocês podem ‘fazer’ BLW, mas ela é muito pequena ainda. Façam a papinha e mais para frente vocês mudam.”

Como assim? Eu pensei.

Fiquei intrigada com a resposta, mas tínhamos inúmeras orientações, só não imaginava que na prática seria tudo diferente.

O que não me contaram e acho que todos deveriam saber?

A introdução alimentar é cheia de surpresas, momentos mágicos e preocupações. Tem horas que queremos abandonar tudo, tem horas que nos enchemos de orgulho, mas o melhor é ver a evolução e ter aquela sensação de dever cumprido.

Porém, é tenso e se soubéssemos de alguns detalhes sobre todo esse aprendizado é provável que nossa trajetória tivesse sido menos tensa e preocupante.

1.     O bebê irá cuspir toda a comida

Nas primeiras tentativas de dar comida para seu bebê ele irá cuspir tudo que você oferecer a ele. Não é porque ele não gostou, mas sim porquê o reflexo de protrusão da língua precisa diminuir. Este reflexo é uma defesa do bebê para evitar acidentes com objetos que ele pode colocar na boca.

Aqui em casa aconteceu exatamente isso, oferecemos banana, cenoura, batata, amassado com a ajuda da colher ou em pedaços e nada da Valentina comer.

Essa reação gerou medo, desconfiança e uma insegurança enorme, mas na medida em que o reflexo foi diminuindo a Valentina começou a comer cada vez melhor.

2.     O bebê come muito pouco, e isso é normal

Nos primeiros dias, ou meses da introdução alimentar o seu bebê não irá comer praticamente nada. Mesmo que o reflexo já tenha diminuído este momento para ele ainda é uma brincadeira.

Não se preocupe, isso é normal e não fará falta para ele. Nesta fase da alimentação do bebê o leite materno, ou a fórmula, ainda são a principal fonte de alimentação dele. Os alimentos que ele consumir só irão complementar tudo que já é fornecido pelo leite.

Sentimos isso na pele com a Valentina, por vezes ela só queria brincar com a comida, a criança ainda não sabe que aquilo mata a fome, por isso é importante manter o leite e não dar ouvidos a qualquer conselho de diminuir o número de mamadas, ou quantidade de leite, para o bebê sentir mais fome e assim comer mais comida.

3.     O leite materno não supri mais a necessidade de líquidos

A ingestão de água é fundamental após cada refeição do bebê. Nesta nova fase, com a inclusão de novos alimentos, o bebê precisa tomar água após cada refeição, ou mesmo durante ela.

Aqui em casa dar água não foi uma tarefa fácil. Nas primeiras semanas a Valentina simplesmente não bebia a água que oferecíamos, ela apenas lavava a boca e cuspia tudo. Tentamos de inúmeras maneiras com mamadeira, copo de transição, colher e até com um copo pequeno.

Foi com o copo que conseguimos os melhores resultados e hoje quando oferecemos água ela fica efusiva só de olhar a aproximação do copo com água.

4.    As fezes também passam por transição

O coco vai passar de líquido ou pastoso para uma consistência mais sólida e isso é uma novidade para o bebê.

O coco mais pastoso exige menos esforço na evacuação e isso é diferente com o coco mais sólido, por isso a importância da ingestão da água.

Outra novidade é que o coco terá diversas variações de cores, dependendo do cardápio. O cheiro também passará a ser muito mais intenso. Por último muitos pedaços de comida podem estar presentes nas fezes, dependerá da maneira como você realizar a introdução alimentar de seu bebê, pois o sistema digestivo ainda não está totalmente desenvolvido para digerir todo tipo de alimento.

No início da introdução alimentar da Valentina passamos por tudo isso. Tivemos vários tipos de fezes aqui em casa, com texturas e cores diferentes, e talvez devido a nossa inexperiência e desconhecimento precisamos recorrer ao uso de supositório.

A Valentina passou alguns dias sem evacuar, o que até é normal, porém a ela começou a ficar desconfortável e chorona.

Fazia força para tentar fazer coco e nada!

Tentamos algumas receitas caseiras, como dar ameixa seca hidratada, mas sem sucesso e o uso do supositório foi inevitável. Para evitar esses problemas os líquidos são fundamentais. Nós optamos por dar somente água, que hoje ela toma muito bem, mas você pode seguir as orientações de seu pediatra e dar o líquido que mais lhe parecer adequado.

5.    No final tudo sempre acaba bem

Enfim, hoje sabemos que as coisas são lindas e fáceis na teoria, mas na prática nem tudo é assim. Paciência e persistência são palavras-chave para o sucesso na introdução alimentar de seu bebê, da mesma maneira que foram necessárias durante toda a amamentação.

É preciso ter sempre em mente que cada bebê é único. E o tempo de adaptação é individual, pode levar mais ou menos, mas seu filho irá aprender a comer, ele só precisará de tempo e oportunidade.

E a você, mãe, pai ou cuidador, cabe a tarefa de apresentar ao seu bebê uma variedade de alimentos. Para que ele possa conhecer diferentes sabores e texturas e, de preferência, procure o acompanhamento de um pediatra e um nutricionista.

Conhece alguém que vai ser mãe em breve? Compartilha com ela esse texto, temos certeza que será muito importante para ela.